O maior presente

 

 

 

 

Voltei às minhas origens. Num repente mergulhei um pouco em sabores que já não sentia há uns tempos.

Os rostos que me esperavam conseguiam reduzir-me à minha pequenez, sentindo-me embriagada naquela serenidade que me confrontava com tudo o que desaproveito ao longo de um ano de batalhas que vou ganhando e perdendo.

A simplicidade, a tranquilidade, a sabedoria de viver com o que se tem e o que vem, sem desânimo, sem contestação. E cada momento se perpetua em total plenitude, em absoluta entrega, mastigando as palavras, os gestos, os olhares.

As opiniões deixam de ter sentido nesta intensidade de vida, nesta absoluta vivência despida de conceitos e preconceitos.

Estou sempre bonita naqueles rostos, sou sempre menina naqueles olhares.

E qualquer pequena coisa que eu possa levar é generosamente agarrada por aquelas mãos que se juntam para receber sem nunca recusar.

Afinal é tão bom sentir que está ali o meu começo.

Regresso com os olhos orvalhados porque quem recebeu o maior presente fui eu.

 

 

publicado por portosolidao@sapo.pt às 21:21 link do post | comentar | favorito