Belezas

O mundo está cheio de beleza.

Infelizmente nós perdemos, pela falta de uso, a capacidade de nos maravilharmos, de olhar com olhos límpidos as coisas belas. E, talvez por isso, estamos sempre a ver o que há de mais feio no mundo, na natureza, nas pessoas. Caímos para o lado negativo que todas as coisas e todas as pessoas têm.

E é pena. Porque assim também nos habituamos a olhar mais o nosso lado “desgraçadinho” do que o nosso lado agradável, simpático, amoroso.

 

Neste contexto há um tipo de beleza que gostava de referir.

É a beleza de ajudar alguém a ser um pouquinho mais feliz.

É a beleza de dar o espaço e a importância que cada um de nós tem, independentemente das nossas opiniões, da nossa cor de pele, da nossa condição, porque somos pessoa, sujeito livre e consciente.

É a beleza de estimular alguém a aceitar e a assumir a sua condição de cidadão, isto é, de agente e construtor da história, nem que seja apenas com uma pedra, a “sua pedra”.

É a beleza de acolher quem não se sente acolhido.

É, no fundo, a beleza da solidariedade, construída no amor ao outro e na alegria genuína de aceitar o esforço e o cansaço que tal tarefa pode exigir.

 

Esta é uma beleza que todos temos e que todos podemos dar.

Por mais sós, ignorantes, inúteis que nos sintamos, temos de dar o salto para o outro lado da nossa vida.

Então a nossa própria vida será mais bela.

E a dos outros também.

Porque a beleza (como a maldade ou uma doença infecciosa) “pega-se”.

 

publicado por portosolidao@sapo.pt às 23:55 link do post | comentar | favorito