Quinta-feira, 26.11.09

Solidão?

O que se sente quando se está em solidão?

 Pedi a dez pessoas para me explicarem o que sentiram e responderam-me assim:

 

 - são momentos de insegurança e de debilidade;

 - senti-me desertificado de mim mesmo;

 - foi como um um questionário sem respostas;

 - proibi-me de dar passos noutros sentidos, aprisionando-me cada vez mais;

 - solidão de mim e em mim onde as amizades ficaram num outro patamar da minha existência;

 - caminhos feitos sem companhia;

 - cada movimento de respiração é um sofrimento;

 - é um arrancamento inflamado de desespero;

 - fica-se em carne viva e não se consegue iniciar a cura;

 - é a minha alma que dói e não encontra o corpo onde respira.

 

O que se sente quando se está em solidão?

 

 

 

 

publicado por portosolidao@sapo.pt às 22:07 link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 18.11.09

Cuidar do Outro

Fui lendo e meditando nos vários comentários ao último texto e tirei algumas (minhas) conclusões.

 

Por detrás de alguns, parecia haver um certo fatalismo; porque talvez não fôssemos “educados” para ser agentes da história, porque não acreditamos que o futuro depende de nós: o futuro não existe; o futuro constrói-se, no dia a dia, com o contributo de todos e será tanto melhor quanto melhor for o contributo de todos e de cada um.

 

Presente estava também algum desânimo, certamente porque não vemos resultados do nosso trabalho nem do dos outros, porque acreditamos na velha falácia de que o mundo está cada vez pior: a falta que nos faz poder voltar cem anos atrás e (re)vermos as condições de então!

 

Alguns querem afastar as pessoas, refugiar-se na sua solidão, esquecendo um coisa tão simples que nunca pensamos nela: o coração só se pode abrir por dentro. De pouco ou nada vale a ajuda dos outros se eu não quero ser ajudado, se eu não quero abrir o meu coração; porque só eu tenho a chave para o abrir. Os outros terão de esperar, com paciência e amor, à “porta” para poderem entrar. Há ainda o perigo corrosivo da vitimização.

 

Há ainda o perigo corrosivo da vitimização. Parece que só a mim é que acontecem estas coisas. Esquecemos que há outros que estão pior que nós. É certo que, como diz o ditado popular, “com o mal dos outros posso eu bem”. Mas saber que não sou o único, que outros. em iguais condições, foram capazes de superar a sua dor, certamente que pode ser um estímulo para eu fazer o mesmo. Pelo menos, pode ajudar a desdramatizar a minha situação concreta e ajudar a colocá-la no nível das coisas “normais” de que a nossa vida que é feita: de altos e baixos, de vitórias e fracassos, de alegrias e tristezas.

 

Ficam duas questões que foram colocadas sobre esta nossa sociedade.

“A sociedade é, sem dúvida, o maior buraco negro do Universo”. Será mesmo? Tenho de discordar absolutamente, porque sem sociedade nenhum de nós conseguiria viver: pode algum de nós sozinho cozer o pão, pescar o peixe, criar as vacas, inventar a televisão ou o computador, etc., etc., etc.?

 

“O que podemos fazer?” Parece-me que mais difícil é se “queremos fazer”, porque certamente há muito que podemos fazer. Falta-nos é imaginação e compromisso sério com o bem de todos. Deixo duas ideias que retirei de João Paulo II, que insistia muito em estar em comunhão, em sintonia, uns com os outros, o que ele chamava a “espiritualidade da comunhão”.

E o que é “isso”?

- é sentir o outro como «alguém que faz parte de mim» para saber partilhar as suas alegrias e os seus sofrimentos, para intuir os seus anseios e dar remédio às suas necessidades, para lhe oferecer uma verda¬deira e profunda amizade;

- é ver, antes de mais nada, o que há de positivo no outro, para o acolher e valorizar como dom: um «dom para mim», como o é para o irmão que directamente o recebeu;

- é saber “criar espaço” para o irmão, levando «os fardos uns dos outros» e rejeitando as tentações egoístas que sempre nos ameaçam e geram competição, arrivismo, suspeitas, ciúmes.

 

Concluiria eu assim: é viver, não segundo a lógica da competição, da inveja, do ciúme, mas segundo a lógica do dom, da gratuidade e da fraternidade. Só isto!!! Tão pouco (parece, assim escrito), mas tão difícil (é, quando vivido). A todos os que estão sós, ficam, apesar de anónimo, o meu carinho e a minha solidariedade

publicado por portosolidao@sapo.pt às 12:22 link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 09.11.09

Corpo de emigrante que estava morto há dois anos trasladado para Portugal

<<O corpo do emigrante português encontrado morto em sua casa, na periferia de Paris, será trasladado para Vila Verde, Braga, afirmou fonte oficial consular.

José Gomes de Macedo, reformado da construção civil e residente em França há vários anos, foi encontrado segunda-feira pelos bombeiros, após um alerta anónimo pelo telefone.
O emigrante português terá morrido em 2007, sozinho, e permaneceu dois anos sentado na sua sala, em decomposição, até esta semana.
"A família foi contactada em Portugal e, através de uma das filhas de José Gomes de Macedo, foi requerida a trasladação do corpo para Vila Verde", informou hoje fonte oficial do Consulado-geral de Portugal em Paris.
O corpo de José Gomes de Macedo aguarda a trasladação numa casa mortuária de Saint-Germain-en-Laye, perto de Poissy.
"Os serviços consulares sabem pouco da investigação aberta ao caso, mas foi-nos dito que tudo aponta para uma morte natural", adiantou a mesma fonte oficial, que não quer ser nomeada.
José Gomes de Macedo, que vivia em Poissy, Yvelines, na periferia oeste de Paris, foi identificado através do número de série da prótese auditiva.
Vizinhos contactados no local pela Lusa manifestaram o choque pelas circunstâncias em que morreu José Gomes de Macedo.
A renda subsidiada do apartamento continuou sempre a ser paga por transferência automática, mês após mês, e o correio foi distribuído, sem que ninguém notasse a falta de José Gomes de Macedo.
"Este foi o momento mais chocante de toda a minha vida diplomática de mais de trinta anos", afirmou à Lusa o embaixador de Portugal em Paris, Francisco Seixas da Costa, reagindo ao caso.>> em http://jn.sapo.pt/paginainicial/pais/concelho.aspx?Distrito=Braga&Concelho=Vila%20Verde&Option=Interior&content_id=1391739

  

Nesta altura surgem-me várias questões:
- Em dois anos a família não contactou este senhor? 
- Não haveria ninguém em Paris que se relacionasse com o senhor ao ponto de dar pela sua falta?
- Conseguiremos ser assim tão transparentes para a sociedade em que vivemos?
- Quantos Josés Macedos existirão?

 

 
publicado por portosolidao@sapo.pt às 18:42 link do post | comentar | ver comentários (6) | favorito

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