Quarta-feira, 21.10.09

não consigo estar só

É noite. Noite estrelada. As luzes da cidade ofuscam as estrelas. Longínquas. Próximas. Grandes. Pequenas. Brilhantes. Invisíveis. Lá fora, fora da janela e fora da Terra, há milhões de mundos.  Quantos já terão desaparecido sem nunca terem sentido o calor da vida, alimentados por um calor "frio" sem sentimentos das reacções que as tornam brilhantes? Quantos estarão a formar-se?.Quantos deles sentirão o calor da vida no frio gélido do espaço cósmico?

Pouco importará a cada um de nós como indivíduo ter uma resposta para estas questões que preocupam astrónomos, exobiologistas e, dizem, até teólogos.

Mas olhar o céu é qualquer coisa que nos esmage e nos entusiasma.

Mas o que mais me impressiona é saber que os tecidos do meu corpo, o meu coração, os meus pulmões, o meu cérebro, tudo isso é formado por átomos e moléculas que se formaram nessas estrelas longínquas e no espaço que as separa. Eu não nasci há umas dezenas de anos. Eu sou feito a partir da poeira cósmica que foi surgindo, crescendo, desaprecendo para dar origem a outras estrelas e a outras poeiras. Eu sou filho desses átomos que vêm do início do Universo. Como posso sentir-me sozinho neste meio de que sou feito, destas estrelas e de planetas que não vejo mas são fisicamente meus irmãos?

Mas há mais: eu sou feito exactamente dos mesmos átomos e moléculas que as pessoas com quem me cruzo na rua: respiro as moléculas que elas expiraram e que vão entrar na composição do meu corpo. Eu sou quimicamente irmaã de todos aqueles com quem me cruzo ou que até nem conheço, mas que me foram trazidos pelo vento. Como poderei sentir-me só, se somos muitos os que nos damos, que nos partilhamos no respirar, no comer de cada dia. Como posso sentir-me só?

E avançando mais. Quantos livros eu li de pesoas que nunca vi, mas que me enriqueceram e me fizeram melhor? Quantas músicas de autores que não conheço me alegram e me fazem chorar com os acordes que vibraram na minha alma. Não são eles tabém meus irmãos espirituaisd?

Com uma família tão grande que envolve estrelas longínquas, planetas invisíveis, o ar que respiro, os livros que leio, as músicas que ouço, como posso sentir-me só?

 

Só poderei estar só e sentir-me só se me fechar a todos estes amigos conhecidos e desconhecdios. Esquecer tudo isto exige um esforço bem maior do que manter-me e sentir-me só!!!

publicado por portosolidao@sapo.pt às 00:48 link do post | comentar | ver comentários (5) | favorito
Terça-feira, 13.10.09

Centro de Noite... um novo conceito!

 

<< Telha Amiga recebe primeiros utentes
O Centro de Noite Telha Amiga recebeu no passado dia 21 de Setembro os seus primeiros utentes. São idosos que tinham dificuldades em passar as noites sozinhos e que ali encontram um centro onde podem pernoitar cear e tomar o pequeno-almoço.
Este centro, que teve um custo total de 450.680 euros, (369.589de comparticipação da Câmara de Coimbra e 81.090 de comparticipação POEFDS) criado pela Câmara de Coimbra irá ser gerido pela Casa de Repouso de Coimbra, tendo capacidade para doze utentes.
 
Oliveira Alves, Director Municipal do Desenvolvimento Humano e Social adiantou que centros deste tipo poderão receber outras valências, como por exemplo de Centro de Dia para Idosos. Referiu ainda que se poderão vir a estender por outros pontos da cidade. Carlos Encarnação, Presidente da Câmara Municipal de Coimbra, fez notar que este centro se enquadra nas respostas múltiplas que a autarquia tem desenvolvido com o intuito de responder a múltiplas necessidades sociais. >>
publicado por portosolidao@sapo.pt às 23:10 link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 12.10.09

Antes que Seja Tarde

 

 

Amigo,
tu que choras uma angústia qualquer
e falas de coisas mansas como o luar
e paradas
como as águas de um lago adormecido,
acorda!
Deixa de vez
as margens do regato solitário
onde te miras
como se fosses a tua namorada.
Abandona o jardim sem flores
desse país inventado
onde tu és o único habitante.
Deixa os desejos sem rumo
de barco ao deus-dará
e esse ar de renúncia
às coisas do mundo.
Acorda, amigo,
liberta-te dessa paz podre de milagre
que existe
apenas na tua imaginação.
Abre os olhos e olha,
abre os braços e luta!
Amigo,
antes da morte vir
nasce de vez para a vida.

Manuel da Fonseca, in "Poemas Dispersos"

 

publicado por portosolidao@sapo.pt às 00:08 link do post | comentar | favorito

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