Quinta-feira, 27.08.09

Metade de mim

Que a força do medo que tenho

Não me impeça de ver o que anseio.

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso

E a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste,

Que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflicta em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Porque metade de mim é a lembrança do que fui
Mas a outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é a plateia
A outra metade é a canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

                                                    Oswaldo Montenegro

publicado por portosolidao@sapo.pt às 18:55 link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Sexta-feira, 21.08.09

Vida com história

 

A vida é como uma viagem no mar da história, com frequência enevoada e tempestuosa, uma viagem na qual perscrutamos os astros que nos indicam a rota. As verdadeiras estrelas da nossa vida são as pessoas que souberam viver com rectidão. Elas são luzes de esperança.


(Bento XVI, Spes Salvi)

 

publicado por portosolidao@sapo.pt às 15:07 link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 07.08.09

O maior presente

 

 

 

 

Voltei às minhas origens. Num repente mergulhei um pouco em sabores que já não sentia há uns tempos.

Os rostos que me esperavam conseguiam reduzir-me à minha pequenez, sentindo-me embriagada naquela serenidade que me confrontava com tudo o que desaproveito ao longo de um ano de batalhas que vou ganhando e perdendo.

A simplicidade, a tranquilidade, a sabedoria de viver com o que se tem e o que vem, sem desânimo, sem contestação. E cada momento se perpetua em total plenitude, em absoluta entrega, mastigando as palavras, os gestos, os olhares.

As opiniões deixam de ter sentido nesta intensidade de vida, nesta absoluta vivência despida de conceitos e preconceitos.

Estou sempre bonita naqueles rostos, sou sempre menina naqueles olhares.

E qualquer pequena coisa que eu possa levar é generosamente agarrada por aquelas mãos que se juntam para receber sem nunca recusar.

Afinal é tão bom sentir que está ali o meu começo.

Regresso com os olhos orvalhados porque quem recebeu o maior presente fui eu.

 

 

publicado por portosolidao@sapo.pt às 21:21 link do post | comentar | favorito

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