Quinta-feira, 30.04.09

Uma Voz na Pedra

 

Não sei se respondo ou se pergunto.

Sou uma voz que nasceu na penumbra do vazio.

 

Estou um pouco ébria e estou crescendo numa pedra.

Não tenho a sabedoria do mel ou a do vinho.

De súbito, ergo-me como uma torre de sombra fulgurante.

A minha tristeza é a da sede e a da chama.

Com esta pequena centelha quero incendiar o silêncio.

O que eu amo não sei. Amo. Amo em total abandono.

Sinto a minha boca dentro das árvores e de uma oculta nascente.

Indecisa e ardente, algo ainda não é flor em mim.

Não estou perdida, estou entre o vento e o olvido.

Quero conhecer a minha nudez e ser o azul da presença.

Não sou a destruição cega nem a esperança impossível.

Sou alguém que espera ser aberto por uma palavra.

 

                                                                                 António Ramos Rosa

 

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Quinta-feira, 16.04.09

Vale a pena

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 Ás vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido.

 

                                                                                                                                         Fernando Pessoa

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publicado por portosolidao@sapo.pt às 14:38 link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
Terça-feira, 07.04.09

Solidão

 

 É difícil definir solidão. Provavelmente já todos, num momento ou outro, experimentámos esse sentimento e, se déssemos o nosso testemunho, certamente o encheríamos com adjectivações diferentes, ainda que, no fundo, pudéssemos sintetizá-lo a sensações de abandono, de desenraizamento, de separação, de não identificação.

Estes sentimentos, vividos de forma permanente e prolongada, podem provocar-nos insegurança, ansiedade, falta de esperança, inutilidade, rejeição, depressão.

É, afinal, a ausência de ser amado e de amar. Desde logo, de nos amarmos a nós mesmos como homens e mulheres, cheios de defeitos e virtudes, cheios de sonhos e frustrações, cheios de forças e fraquezas.

A solidão está intimamente ligada a perdas e mudanças dos mais diversos tipos.  Isolamo-nos para chorar as nossas perdas, distanciamo-nos para conviver com as nossas mudanças e, sem darmos conta, rejeitamos o mundo à nossa volta e tornamo-nos irreconhecíveis perante nós mesmos.

É nessas alturas que precisamos de apoio, que temos de encontrar alguma energia para contrariar o desânimo.

Não é fácil, sobretudo porque ninguém nos resolve os nossos problemas. Mas pode haver alguém que nos escute e que esteja disposto a caminhar ao nosso lado, para nos dar o braço todas as vezes que cambaleamos.

 

 

publicado por portosolidao@sapo.pt às 15:02 link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 03.04.09

Coragem

Perguntas-me o que deves fazer com a pedra que

te puseram em cima da cabeça?

Não penses no que fazer com. Cuida no que fazer da.

 

É provável que te sintas logo muito melhor.

 

Sai, então, de baixo da pedra.

 

Alexandre O'Neill

 

 

 

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Quarta-feira, 01.04.09

GRITO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O Grito, Edvard Munch
 
 
publicado por portosolidao@sapo.pt às 05:26 link do post | comentar | favorito

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