Pontos de interrogação

Hoje gostaria de colocar uma questão em que várias vezes tenho pensado, mas não encontrei ainda uma resposta convincente. Certamente que não há uma resposta; haverá tantas quantas as pessoas envolvidas ou não fôssemos cada um de nós absolutamente único e irrepetível.

Todos sabemos que há pessoas em solidão, nas mais variadas formas de solidão. Muitos sabemos que algumas (muitas? poucas? assim-assim?) não querem que ninguém as "chateie", mesmo admitindo, conscientemente, que têm necessidade de alguém que lhes dê atenção, que "cuide" (no sentido nobre do termo: "a ética do cuidado") dele.

A pergunta que faço é esta: qual ou quais as razões desta recusa "irracional" ou, se preferirmos, incoerente? Receio de invasão da privacidade (da minha casa, do meu ambiente ou da minha "alma"')? Recusa em admitir que somos limitados e, portantos, carenciados (Não haverá aqui algum "pecado de orgulho", tão moderno mas herdado do "velho" Prometeu, que se sentiu capaz de subir ao céu e roubar o fogo a Zeus?)? Rejeição de que só somos pessoas, na sua dimensão integral, se nos sentirmos e fizermos parte de um conjunto de outras pessoas (família, tribo, comunidade local, nação e, em último lugar e mais profundo, da humanidade)? Incapacidade (ou inveja?) de aceitar a alegria (tantas vezes disfarçada ou forçada) que pressentimos nos outros de que apenas vemos o exterior? E os pontos de interrogação podem continuar.

Alguém tem alguma ideia mais acertada que os meus pontos de interrogação?

publicado por portosolidao@sapo.pt às 10:00 link do post | comentar | favorito