Tentativa de Solidão

Por meus lados adormecidos, sempre atrás de uma claridade

desci até olhar-me frente a frente.

Escrevo as tristezas com minha velha flauta de sombras

enquanto nos copos de vinho bebo meus diversos rostos.

Sem chorar despojando-me de tantos estigmas mortais

aguardo a alma que fugitiva vem do seu passado

em busca de uma fonte adormecida para descer para a noite.

Quero estar sozinho em meu grande espectro, meus olhares desertos,

meus cantos doem-me porque não findam em seu próprio delírio,

mal reluzo neles, mal vou escorrendo

como o orvalho desce dos olhos das sombras.

Quero ser meu próprio testemunho, a realidade de meu signo,

mas, - que povoado imenso galopa, respira, sofre?

O peito de raiz perturbado está com substâncias alheias.

Vacila esta veia que entra à minha frente vinda do crepúsculo,

tão vasta como o passado de fogo de uma estrela,

deixa-me seus sinais de luz mas seu esconjuro não consegue

que esta fronte asile também nós malignos.

Ah, a alma volte a fugir com os pés gelados do susto,

no meu inetrior com cilício esttou para devolver ao dia.

 

Humberto Díaz Casanueva

Tradução de José Bento

publicado por portosolidao@sapo.pt às 16:09 link do post | comentar | favorito